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Participação feminina é chave para acelerar a economia circular, aponta análise

A transição da economia linear para a Economia circular envolve mais do que avanços tecnológicos ou novos processos industriais. Segundo especialistas, a mudança exige revisão de estruturas de poder e maior diversidade nos espaços onde são definidas estratégias de produção, inovação e investimento.

O debate ganha destaque especialmente em torno do Dia Internacional da Mulher, quando diferentes setores analisam o papel feminino na construção de modelos econômicos mais sustentáveis.


Influência no consumo, mas pouca presença na liderança

Estudos mostram um paradoxo relevante: mulheres têm forte influência no comportamento de consumo, mas ainda são minoria nos cargos de liderança corporativa.

Dados da NielsenIQ indicam que mulheres controlam cerca de US$ 31,8 trilhões em gastos globais, influenciando decisões de compra em diversos setores.

Por outro lado, levantamento da Grant Thornton aponta que mulheres ocupam aproximadamente 37% dos cargos de liderança no Brasil. Ainda assim, dados da B3 mostram que mais da metade das empresas listadas não possuem nenhuma mulher na diretoria estatutária, enquanto 37% não têm participação feminina nos conselhos de administração.


Desafio estrutural da circularidade

A transição para modelos circulares ainda enfrenta desafios globais. O relatório Circularity Gap Report 2025 revela que apenas 6,9% dos materiais utilizados no mundo retornam ao ciclo produtivo como recursos secundários. No Brasil, o índice é ainda menor: cerca de 1,3%.

A economia circular propõe substituir o modelo tradicional — baseado em produzir, consumir e descartar — por sistemas que priorizam:

  • reutilização de materiais

  • reparo de produtos

  • compartilhamento de recursos

  • regeneração ambiental

Essa transformação exige decisões estratégicas em design de produtos, engenharia reversa e gestão de cadeias produtivas.


Diversidade na inovação e na ciência

A presença feminina também permanece limitada na pesquisa científica. Segundo a UNESCO, mulheres representam cerca de um terço dos pesquisadores no mundo.

Esse dado tem impacto direto no desenvolvimento de soluções ligadas à circularidade. Áreas como design sustentável, novos materiais, logística reversa e tecnologias de reaproveitamento dependem de equipes multidisciplinares e diversas para ampliar a capacidade de inovação.


Sustentabilidade também é agenda de governança

Especialistas apontam que ampliar a participação feminina em conselhos, diretorias e centros de pesquisa pode acelerar a transição para sistemas produtivos mais sustentáveis.

A economia circular não envolve apenas mudanças industriais. Trata-se de uma transformação estrutural que conecta viabilidade econômica, regeneração ambiental e justiça social.

Nesse cenário, diversidade nos processos de decisão tende a fortalecer estratégias de longo prazo e ampliar a capacidade de adaptação das organizações.

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