{"id":5436,"date":"2026-06-25T15:06:32","date_gmt":"2026-06-25T13:06:32","guid":{"rendered":"https:\/\/retechdays-news.com\/?p=5436"},"modified":"2026-06-25T15:06:32","modified_gmt":"2026-06-25T13:06:32","slug":"a-proxima-fronteira-dos-pagamentos-nao-e-digital-e-circular-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/retechdays-news.com\/pt-br\/a-proxima-fronteira-dos-pagamentos-nao-e-digital-e-circular-2\/","title":{"rendered":"A pr\u00f3xima fronteira dos pagamentos n\u00e3o \u00e9 digital: \u00e9 circular"},"content":{"rendered":"<p>A transforma\u00e7\u00e3o dos meios de pagamento costuma ser associada \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o. Pix, carteiras digitais, QR Codes e pagamentos por aproxima\u00e7\u00e3o mudaram a forma como consumidores e empresas movimentam dinheiro. Mas uma nova discuss\u00e3o come\u00e7a a ganhar for\u00e7a no setor financeiro: o impacto ambiental da infraestrutura f\u00edsica que sustenta essa revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Embora cada vez mais digitais, os pagamentos continuam dependentes de milh\u00f5es de ativos f\u00edsicos espalhados pelo mundo. Cart\u00f5es, terminais de pagamento, chips, baterias, equipamentos de rede e data centers integram uma cadeia complexa que consome recursos naturais, energia e mat\u00e9rias-primas ao longo de todo o seu ciclo de vida.<\/p>\n<p>Segundo o Global E-waste Monitor citado pela ESG Inside, o mundo gerou 62 milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos eletr\u00f4nicos em 2022 e esse volume pode atingir 82 milh\u00f5es de toneladas at\u00e9 2030. O crescimento coloca press\u00e3o sobre empresas para repensar n\u00e3o apenas a digitaliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, mas tamb\u00e9m a gest\u00e3o dos equipamentos que tornam essas transa\u00e7\u00f5es poss\u00edveis.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o ganha relev\u00e2ncia em um momento de forte expans\u00e3o do setor. No Brasil, os pagamentos eletr\u00f4nicos continuam crescendo, impulsionados pelo Pix, pelos cart\u00f5es e pelos sistemas de pagamento instant\u00e2neo. Apenas no primeiro trimestre de 2026, os cart\u00f5es movimentaram mais de R$ 1,1 trilh\u00e3o, enquanto os pagamentos por aproxima\u00e7\u00e3o j\u00e1 representam quase 75% das transa\u00e7\u00f5es presenciais.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o dos meios digitais ajuda a reduzir a depend\u00eancia de instrumentos f\u00edsicos tradicionais, mas n\u00e3o elimina os desafios ambientais. Pelo contr\u00e1rio. O aumento do volume transacional exige mais capacidade de processamento, armazenamento de dados e infraestrutura tecnol\u00f3gica, ampliando a import\u00e2ncia de estrat\u00e9gias voltadas \u00e0 efici\u00eancia energ\u00e9tica e ao gerenciamento do ciclo de vida dos equipamentos.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que o conceito de circularidade come\u00e7a a entrar na agenda das empresas de pagamentos. A proposta vai al\u00e9m da reciclagem. O objetivo \u00e9 projetar sistemas nos quais cart\u00f5es, maquininhas e demais equipamentos tenham processos estruturados de recolhimento, reaproveitamento, remanufatura e recupera\u00e7\u00e3o de componentes ao final de sua utiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A log\u00edstica reversa das maquininhas de pagamento aparece como um dos exemplos mais concretos dessa transforma\u00e7\u00e3o. Programas de recolhimento e recondicionamento permitem recuperar pe\u00e7as e materiais que anteriormente seriam descartados, reduzindo a gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos eletr\u00f4nicos e prolongando a vida \u00fatil dos ativos.<\/p>\n<p>Para empresas ligadas a ITAD, recondicionamento e reciclagem eletr\u00f4nica, a tend\u00eancia representa uma oportunidade relevante. O setor financeiro opera uma das maiores bases de equipamentos tecnol\u00f3gicos distribu\u00eddos do pa\u00eds, incluindo terminais de pagamento, roteadores, dispositivos de autentica\u00e7\u00e3o e infraestrutura de conectividade.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a tamb\u00e9m acompanha uma transforma\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria. A Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos j\u00e1 estabelece responsabilidades sobre a destina\u00e7\u00e3o de equipamentos eletroeletr\u00f4nicos, enquanto consumidores, investidores e \u00f3rg\u00e3os reguladores aumentam a cobran\u00e7a por indicadores concretos de sustentabilidade.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que a digitaliza\u00e7\u00e3o avan\u00e7a, cresce a percep\u00e7\u00e3o de que inova\u00e7\u00e3o financeira e economia circular n\u00e3o s\u00e3o agendas separadas. O desafio para os pr\u00f3ximos anos ser\u00e1 garantir que a infraestrutura tecnol\u00f3gica respons\u00e1vel por movimentar a economia tamb\u00e9m seja capaz de reduzir seu impacto ambiental, transformando res\u00edduos em recursos e incorporando a circularidade como parte do pr\u00f3prio modelo de neg\u00f3cios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A transforma\u00e7\u00e3o dos meios de pagamento costuma ser associada \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o. 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