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Consumidor apoia a economia circular, mas ainda desconfia de produtos reciclados, aponta pesquisa

Os brasileiros demonstram apoio crescente à economia circular, mas ainda hesitam quando precisam transformar essa preferência em uma decisão de consumo. Uma pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria mostra que 72% da população vê de forma positiva empresas que investem em práticas circulares, enquanto 43% resistem à compra de produtos reciclados, independentemente do preço.

O estudo, realizado pela Nexus com 2.019 entrevistados em todas as regiões do país, expõe um dos principais desafios para a expansão da economia circular no Brasil: a diferença entre conscientização ambiental e comportamento de compra.

Entre os consumidores que evitam produtos reciclados, 34% afirmam preferir itens novos e 30% apontam dúvidas sobre qualidade e durabilidade como principal motivo para a resistência.

O resultado tem impacto direto sobre mercados que dependem da valorização de materiais reaproveitados, incluindo reciclagem eletrônica, recondicionamento de equipamentos, remanufatura industrial e recuperação de componentes tecnológicos.

A pesquisa sugere que a barreira para o avanço da circularidade não está apenas na infraestrutura de coleta ou processamento de resíduos, mas também na construção de confiança junto ao consumidor final.

Esse cenário ajuda a explicar por que empresas têm investido cada vez mais em certificações, rastreabilidade e programas de garantia para produtos recondicionados e materiais reciclados. Em setores como eletrônicos, por exemplo, a qualidade percebida continua sendo um fator determinante para a decisão de compra.

O desafio se torna ainda mais relevante diante do crescimento da economia circular no ambiente corporativo. Dados da própria CNI mostram que 62% das indústrias brasileiras já adotam pelo menos uma prática circular, incluindo reciclagem, manutenção, reparo e incorporação de materiais recuperados em seus produtos.

Apesar do avanço empresarial, a demanda do consumidor ainda aparece como um dos principais obstáculos à expansão dessas iniciativas. Pesquisa da indústria divulgada neste ano aponta que 25% das empresas identificam a baixa demanda por produtos circulares como uma das barreiras para ampliar investimentos na área.

A discussão ganha relevância em um momento de fortalecimento da agenda de economia circular no país. O governo federal aprovou recentemente o Plano Nacional de Economia Circular, enquanto o setor produtivo defende a aprovação da Política Nacional de Economia Circular para ampliar segurança regulatória e estimular novos investimentos.

Para cadeias ligadas a eletrônicos, ITAD, reciclagem e recondicionamento, os dados indicam que a expansão do mercado dependerá não apenas da capacidade de recuperar materiais e equipamentos, mas também de demonstrar ao consumidor que produtos circulares podem oferecer desempenho, segurança e confiabilidade equivalentes aos produtos tradicionais.

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