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Economia circular ainda é desconhecida para quatro em cada dez brasileiros, aponta pesquisa

Embora a economia circular tenha ganhado espaço nas estratégias de empresas, governos e investidores, o conceito ainda permanece distante da maior parte da população brasileira. Uma pesquisa nacional revela que 39% dos brasileiros nunca ouviram falar no tema, evidenciando um desafio que vai além da infraestrutura de reciclagem: a falta de conhecimento sobre como manter produtos e materiais em circulação por mais tempo.

O levantamento, encomendado pelo Movimento Plástico Transforma ao Instituto QualiBest, mostra que apenas 12% dos entrevistados afirmam conhecer bem o conceito de economia circular. Outros 45% dizem já ter ouvido falar no tema, mas admitem ter apenas um entendimento superficial.

O estudo chama atenção para uma contradição. Apesar do baixo nível de conhecimento, a maioria dos brasileiros demonstra disposição para adotar hábitos mais sustentáveis quando compreende seus benefícios. Segundo a pesquisa, 74% dos entrevistados afirmam estar dispostos a mudar comportamentos para reduzir impactos ambientais.

Para o setor de eletrônicos, o dado ajuda a explicar parte das dificuldades enfrentadas por programas de logística reversa e coleta de resíduos. Embora fabricantes, varejistas, operadoras de telecomunicações e recicladores tenham ampliado pontos de recebimento e campanhas de descarte, muitos equipamentos continuam armazenados em residências ou descartados de forma inadequada.

A economia circular propõe justamente um modelo diferente do sistema tradicional de produzir, consumir e descartar. Em vez de encerrar o ciclo de vida dos produtos após o uso, o conceito busca ampliar sua utilização por meio de manutenção, reparo, recondicionamento, remanufatura, reutilização e reciclagem.

No mercado de tecnologia, essa lógica vem impulsionando a expansão de segmentos como smartphones recondicionados, ITAD, recuperação de ativos corporativos e programas de trade-in. Ao prolongar a vida útil de computadores, celulares e equipamentos de infraestrutura, empresas conseguem reduzir a demanda por matérias-primas, diminuir a geração de resíduos eletrônicos e criar novas oportunidades de negócio.

Especialistas apontam que a conscientização do consumidor será um fator decisivo para acelerar esse processo. Sem compreender o valor econômico e ambiental dos equipamentos em desuso, grande parte da população continua deixando dispositivos esquecidos em gavetas ou realizando descartes inadequados, reduzindo a disponibilidade de produtos para recondicionamento e reciclagem.

O levantamento indica que o avanço da economia circular no Brasil dependerá não apenas de investimentos em infraestrutura e regulamentação, mas também de iniciativas de educação e comunicação capazes de aproximar o conceito do cotidiano dos consumidores. À medida que cresce o volume de equipamentos eletrônicos em circulação, ampliar esse conhecimento passa a ser uma condição essencial para fortalecer toda a cadeia de reaproveitamento de ativos tecnológicos.

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