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Explosão da demanda por IA pressiona memória RAM e eleva preços de smartphones e notebooks

A disputa global por chips de memória impulsionada pela inteligência artificial começou a impactar diretamente o mercado de eletrônicos de consumo. Fabricantes de smartphones e notebooks já enfrentam aumento nos custos de memória RAM e armazenamento, movimento que deve pressionar os preços finais dos dispositivos ao longo de 2026.

O avanço acelerado de aplicações de IA generativa e a expansão de data centers estão redirecionando a capacidade produtiva das grandes fabricantes de semicondutores para componentes de maior valor agregado, especialmente memórias de alta performance utilizadas em servidores de inteligência artificial.

Empresas como Samsung, SK Hynix e Micron Technology passaram a priorizar contratos voltados ao segmento de IA, reduzindo a oferta de memória DRAM e NAND destinada a notebooks, PCs e smartphones tradicionais.

O efeito já aparece no varejo e nas projeções da indústria. Relatórios de mercado apontam que os preços de notebooks e smartphones podem subir entre 8% e 20% nos próximos meses, dependendo da categoria e da região. Fabricantes também começam a rever configurações de entrada para conter custos operacionais.

Em smartphones intermediários, versões com maior capacidade de RAM tendem a ficar mais restritas, enquanto notebooks corporativos devem sofrer reajustes mais significativos devido à necessidade crescente de memória para aplicações de produtividade baseadas em IA.

A pressão ocorre em um momento delicado para o setor de eletrônicos. Após anos de desaceleração no pós-pandemia, fabricantes apostavam em inteligência artificial embarcada para estimular renovação de dispositivos. Agora, a própria IA se torna um fator de aumento de custo na cadeia.

Analistas internacionais já classificam o cenário como uma nova crise estrutural de memória, diferente dos gargalos temporários vistos durante a pandemia. Desta vez, o problema está menos ligado à logística e mais à reorganização permanente da capacidade industrial global em torno da inteligência artificial.

O impacto pode alterar o comportamento do consumidor e acelerar tendências já observadas no mercado secundário.

Com dispositivos novos mais caros, cresce a expectativa de expansão do setor de reparo, upgrade e recondicionamento de eletrônicos. Equipamentos corporativos usados, notebooks premium de gerações anteriores e dispositivos recondicionados passam a ganhar competitividade econômica frente ao custo de aquisição de hardware novo.

Para empresas de ITAD e marketplaces especializados, o cenário pode representar aumento de demanda e valorização de ativos que antes estavam próximos da descontinuação comercial.

O movimento também amplia a relevância estratégica do prolongamento do ciclo de vida dos dispositivos. Em vez de substituição acelerada, empresas tendem a investir mais em manutenção, retrofit e reaproveitamento de infraestrutura existente.

No segmento corporativo, isso pode beneficiar especialmente operações ligadas a remarketing de ativos de TI, gestão de hardware usado e recondicionamento certificado.

Ao mesmo tempo, o avanço da IA segue ampliando o consumo global de infraestrutura tecnológica. Data centers voltados a modelos generativos demandam quantidades massivas de memória de alta performance, criando pressão simultânea sobre cadeias industriais, fabricantes de hardware e mercado consumidor.

Para executivos do setor de tecnologia e economia circular, o cenário reforça uma mudança estrutural: a inteligência artificial não está apenas transformando software e produtividade, mas redesenhando a própria dinâmica econômica dos componentes eletrônicos.

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