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Fujifilm recupera mais de 500 toneladas de equipamentos por ano e coloca reuso antes da reciclagem

A Fujifilm Business Innovation está mostrando como a logística reversa pode assumir um papel industrial muito maior do que simplesmente encaminhar equipamentos usados à reciclagem.

A operação da companhia em Singapura recuperou mais de 500 mil quilos de produtos usados por ano durante os últimos dois anos. Antes de seguir para reciclagem, cada equipamento coletado é avaliado para identificar possibilidades de reutilização, recuperação de componentes ou remanufatura.

Entre 2024 e 2025, aproximadamente 110 mil quilos de peças foram separados para reuso. Equipamentos que não podem voltar ao mercado como unidade completa são desmontados, e componentes ainda funcionais podem ser reparados e incorporados novamente à cadeia.

Somente depois dessa triagem o restante segue para recicladores licenciados. Segundo a empresa, mais de 90% do material, em peso, é separado para reciclagem por seu parceiro local.

O modelo começa antes mesmo da coleta.

Os equipamentos multifuncionais da Fujifilm são desenvolvidos para facilitar desmontagem, reparo e recuperação de peças. Isso permite que decisões tomadas na fase de projeto reduzam custos nas etapas posteriores de manutenção e processamento.

Parte dos dispositivos recuperados na região Ásia-Pacífico segue uma rota ainda mais sofisticada: é enviada ao Japão para remanufatura. As unidades passam por processos de desmontagem, substituição de peças e controle de qualidade antes de retornar ao mercado. A empresa afirma aplicar aos produtos remanufaturados padrões de qualidade equivalentes aos usados para unidades recém-fabricadas.

A diferença entre remanufatura e reciclagem é econômica.

Quando uma máquina inteira volta a funcionar, grande parte do valor investido originalmente em engenharia, produção e montagem continua preservada. Quando o produto é reduzido novamente a plástico e metal, recupera-se apenas uma fração desse valor.

Essa lógica é particularmente relevante no mercado corporativo.

Impressoras, equipamentos multifuncionais, computadores, servidores e outros ativos B2B normalmente possuem proprietários identificáveis, contratos de serviço e ciclos previsíveis de substituição. Isso cria condições muito melhores para programas de take-back do que aquelas encontradas em eletrônicos dispersos entre milhões de consumidores.

Fabricantes capazes de controlar o retorno dos equipamentos conseguem também garantir seu próprio fornecimento de máquinas e componentes usados.

É uma característica que interessa diretamente a OEMs e empresas de ITAD na América Latina.

A região possui grandes parques corporativos de equipamentos que são substituídos periodicamente, mas os ativos nem sempre seguem para a rota de maior valor. Processos tradicionais de desfazimento podem priorizar retirada rápida ou reciclagem sem avaliar suficientemente as possibilidades de reuso.

O modelo da Fujifilm sugere outra arquitetura.

Primeiro, o equipamento é avaliado como produto. Depois, como fonte de peças. Somente então como fonte de matéria-prima.

Essa sequência é semelhante à lógica que vem ganhando espaço no ITAD profissional. Um notebook retirado de uma empresa deve ser diagnosticado antes de ser desmontado. Um servidor pode ter componentes de alto valor mesmo que a unidade completa tenha pouca demanda. Um smartphone quebrado pode fornecer tela, câmera ou placa para outros reparos.

Quanto mais cedo a cadeia identifica essas diferenças, mais valor consegue preservar.

Outro ponto relevante é a integração vertical.

Fabricantes conhecem composição, histórico, peças e especificações de seus próprios equipamentos. Quando participam do pós-uso, conseguem utilizar essas informações para aumentar o percentual recuperável.

A Fujifilm utiliza inclusive informações de histórico de utilização de equipamentos para avaliar vida residual de determinados componentes em seus sistemas de circulação de recursos. Esse tipo de dado tende a se tornar cada vez mais importante à medida que fabricantes adotam modelos de produto como serviço, leasing e contratos de longo prazo.

Para a América Latina, onde custo de capital e preço dos equipamentos novos podem favorecer ciclos mais longos, produtos remanufaturados apresentam potencial adicional.

O desafio será criar mercados capazes de distinguir claramente um produto remanufaturado com processo industrial, testes e garantia de um equipamento simplesmente usado.

A experiência asiática mostra que a circularidade mais sofisticada não começa na planta de reciclagem. Começa no design, continua no relacionamento com o cliente e depende de uma logística que faça o produto voltar.

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