Negócios

Mercado brasileiro de smartphones amadurece; crescimento passa por serviços e recondicionados

O mercado de smartphones no Brasil, estimado em cerca de R$ 50 bilhões por ano, deixou de ser um motor de crescimento automático para fabricantes e distribuidores e se aproxima de um cenário de maturidade, segundo análise de executivos do setor.

Com alto nível de penetração e consumidores mais sensíveis a preço e crédito, a simples venda de aparelhos novos já não tem sido suficiente para ampliar volumes ou margens. Em resposta a esse contexto, empresas como a Allied Tecnologia — atuante na distribuição e varejo de eletrônicos — vêm diversificando suas fontes de receita, reforçando serviços, parcerias financeiras e o segmento de dispositivos recondicionados.

Estratégias para além do hardware

Executivos da Allied destacam que o mercado de smartphones está “estável em valor, mas maduro”, com substituições de aparelhos cada vez mais frequentes que novas aquisições. Para gerar crescimento sustentável, a empresa tem ampliado investimentos em serviços digitais e produtos de valor agregado, como planos de pagamento e programas de troca e atualização contínua de dispositivos.

Um dos exemplos é o programa que permite aos consumidores adquirir aparelhos em parcelas e trocar por modelos mais recentes ao término do contrato, desenvolvido em colaboração com grandes parceiros financeiros e fabricantes. Essa abordagem não só impulsiona o acesso a smartphones como também alimenta o fluxo de dispositivos que retornam ao mercado para recondicionamento formalizado.

Recondicionados como vetor de expansão

A partir desses retornos, a Allied estruturou uma operação de recondicionamento certificada — com garantia, rastreabilidade e padrões técnicos — operada sob sua marca de refurbished. Isso reflete uma tendência mais ampla no Brasil: a migração do mercado informal de usados para um ambiente profissionalizado, com garantia de qualidade e maior confiança do consumidor.

Segundo análises de mercado, esse movimento também é impulsionado por perfis de consumo mais jovens, que veem nos aparelhos recondicionados uma oportunidade de acessar tecnologia premium a preços mais atrativos, fortalecendo ao mesmo tempo práticas de economia circular.

Resultados e perspectivas

Nos resultados corporativos mais recentes, a Allied registrou receita líquida de cerca de R$ 1,4 bilhão no terceiro trimestre de 2025, com crescimento moderado frente ao ano anterior — reflexo do amadurecimento do segmento tradicional de hardware e da importância crescente das verticais de serviços e refurbished no mix de negócios.

Ao combinar distribuição, varejo físico, canais digitais e serviços financeiros, a companhia busca mitigar riscos e fortalecer a resiliência em um setor altamente competitivo. A ação da Allied (ALLD3) também tem refletido essa mudança de estratégia no desempenho de mercado.

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