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Mercado de smartphones recondicionados na América Latina acelera e supera média global em 2026

O mercado de smartphones recondicionados na América Latina deve crescer 12% em 2026, acima da média global, segundo dados da Counterpoint Research. O desempenho chama atenção porque ocorre em uma região ainda considerada pouco madura nesse segmento, marcada por baixa padronização e forte dependência de canais informais de revenda.

Diferentemente de mercados mais consolidados, a América Latina ainda tem participação limitada de operadoras em programas estruturados de trade-in. Isso significa que a maior parte da oferta de dispositivos usados e recondicionados circula por varejistas independentes, marketplaces e redes fragmentadas, com variação significativa em garantia, qualidade e certificação.

Apesar disso, o ritmo de crescimento indica uma fase de aceleração. Entre 2021 e 2025, o mercado de dispositivos usados na região avançou 44% em volume, sinalizando uma trajetória consistente de expansão, ainda que partindo de uma base menos estruturada.

Um dos principais vetores desse movimento é o aumento do preço de dispositivos novos. A pressão global sobre componentes de memória, especialmente DRAM e NAND, tem impactado a cadeia de smartphones e notebooks, tornando aparelhos novos mais caros e menos acessíveis em mercados sensíveis a preço, como o latino-americano.

Nesse contexto, o recondicionado passa a ocupar uma posição intermediária entre custo e confiabilidade, com economias que podem variar entre 30% e 50% em relação a dispositivos novos. A expansão de portfólios recondicionados por varejistas físicos e digitais também contribui para reduzir barreiras de acesso e aumentar a previsibilidade da oferta.

O comportamento de demanda na região segue um padrão claro de preferência por dispositivos premium com preço reduzido. A Apple Inc. lidera o segmento global de recondicionados, com participação dominante estimada em 58% do mercado mundial, e mantém forte influência na América Latina, onde consumidores tendem a priorizar modelos de alto desempenho com desconto em relação ao novo.

O mercado global de smartphones recondicionados movimentou cerca de US$ 83 bilhões no último ano, representando aproximadamente 19% do valor total das vendas de smartphones. A América Latina responde por mais de US$ 4 bilhões desse total, ainda com baixa penetração em comparação a mercados maduros como Europa e América do Norte.

Mesmo com crescimento acelerado, o setor ainda enfrenta desafios estruturais relevantes. A confiança do consumidor segue como um dos principais pontos de fricção, especialmente em relação a garantia, durabilidade e procedência dos dispositivos. A ausência de padronização entre revendedores limita a escala e cria assimetrias de qualidade dentro do próprio mercado.

Ao mesmo tempo, a expansão do segmento indica uma transição gradual de um mercado informal para um ecossistema mais organizado, com maior presença de players especializados, ampliação de canais oficiais e crescimento de modelos híbridos entre novo e recondicionado.

A tendência aponta para um cenário em que o dispositivo recondicionado deixa de ser apenas alternativa de baixo custo e passa a ocupar espaço estrutural na cadeia de consumo de eletrônicos na região.

Fonte: Counterpoint Research, April 27, 2026. 

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