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México entra no centro de estudo que estima US$ 2,2 bilhões em minerais recuperáveis de celulares até 2040

O mercado de celulares usados da América do Norte já consegue fazer algo que muitos sistemas de economia circular ainda tentam construir: manter uma parcela relevante dos aparelhos em circulação depois do primeiro proprietário.

O problema começa quando esses smartphones finalmente deixam de ser utilizáveis.

Novo estudo da Ellen MacArthur Foundation, elaborado com a Commission for Environmental Cooperation e publicado em 21 de setembro, analisou o ciclo de celulares no Canadá, Estados Unidos e México. Segundo o levantamento, aproximadamente 50% a 70% dos aparelhos recebem alguma forma de segunda vida, seja por reparo, recondicionamento, revenda ou transferência para familiares e outras pessoas.

A taxa mostra a força econômica do mercado secundário. Mas o estudo identifica um gargalo posterior: quando o produto chega ao fim definitivo de utilização, grande parte dos materiais ainda termina em fluxos de resíduos ou é exportada para processamento em outras regiões.

Um celular pode conter cerca de 63 elementos, incluindo cobre e cobalto. Até 2040, os aparelhos móveis em fim de vida na América do Norte poderão concentrar aproximadamente US$ 2,2 bilhões em minerais críticos recuperáveis, segundo a estimativa apresentada pela Fundação.

A presença do México transforma o estudo em uma referência particularmente importante para o mercado latino-americano.

O país integra simultaneamente cadeias industriais norte-americanas, possui grande mercado consumidor de celulares e vem desenvolvendo um segmento de dispositivos seminovos e recondicionados. Essa combinação coloca o México em posição diferente da de mercados que apenas consomem os aparelhos.

O relatório divide o desafio em três etapas.

A primeira está no design. Telefones desenvolvidos para maior durabilidade, reparo e desmontagem não destrutiva conseguem preservar valor por mais tempo. Suporte de software prolongado e critérios de reparabilidade também ajudam a evitar que dispositivos funcionalmente adequados sejam retirados de circulação apenas porque determinada parte falhou.

A segunda etapa é o retorno.

Mesmo em mercados onde existe forte demanda por usados, milhões de aparelhos permanecem guardados. Tornar o trade-in, a recompra e outros sistemas de devolução economicamente atraentes é fundamental para retirar esses dispositivos das gavetas enquanto eles ainda possuem valor comercial.

A Fundação destaca também a necessidade de padrões confiáveis para sanitização de dados, grading e documentação. Esses elementos reduzem incerteza em transações B2B e ajudam equipamentos a circular entre diferentes mercados.

A terceira etapa aparece quando o smartphone não pode mais ser aproveitado como produto.

Nesse ponto, capacidade regional de processamento passa a determinar quanto dos materiais permanece dentro da economia norte-americana. O estudo defende expansão de coleta, processamento secundário e mecanismos capazes de criar demanda estável para materiais recuperados.

Essa hierarquia tem implicações importantes para toda a América Latina.

O primeiro objetivo não é triturar mais smartphones. É manter o equipamento inteiro em circulação enquanto houver valor funcional. Depois vêm peças e componentes. Somente no fim surgem os minerais.

Essa sequência maximiza valor econômico.

Um smartphone de US$ 300 no mercado recondicionado não deve ser tratado como alguns dólares em metais. Da mesma forma, um aparelho sem qualquer possibilidade de reuso não deveria desaparecer em uma gaveta quando contém cobre, cobalto e outros materiais capazes de voltar à cadeia produtiva.

Para empresas de trade-in e refurbishment, o relatório reforça a importância de capturar dispositivos cedo. Quanto mais tempo o celular permanece armazenado depois de ser substituído, menor tende a ser seu valor de revenda e maior a probabilidade de ele terminar diretamente em uma rota de reciclagem de baixo valor.

Para recicladores, a oportunidade aparece no extremo oposto: criar capacidade para recuperar materiais que não puderam ser preservados nas etapas anteriores.

O estudo norte-americano expõe justamente a conexão entre essas indústrias. Mercado secundário e mineração urbana não são estratégias concorrentes. São diferentes momentos do mesmo ciclo.

O México pode ser um laboratório particularmente relevante dessa integração para o restante da região. Conforme programas de trade-in se expandem e o mercado de recondicionados ganha escala, cresce também o volume de aparelhos que eventualmente chegará à última etapa de utilização.

O valor de US$ 2,2 bilhões estimado para 2040 mostra que o problema do fim de vida também pode ser observado como uma cadeia futura de matérias-primas.

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