Tecnologia Verde

UFOB destina R$ 555 mil em equipamentos eletrônicos e reforça uso da economia circular no setor público

A Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB) destinou R$ 555 mil em equipamentos eletrônicos para um programa de economia circular, em uma iniciativa que reforça o avanço de modelos de reaproveitamento de ativos tecnológicos dentro do setor público brasileiro. A operação inclui a transferência de equipamentos para projetos voltados à recondicionamento, reuso e destinação ambientalmente adequada de resíduos eletrônicos. (O Tempo)

O movimento integra um contexto mais amplo de institucionalização da economia circular em universidades e órgãos públicos, onde bens de informática e eletrônicos passam a ser tratados não apenas como patrimônio em desuso, mas como ativos com potencial de extensão de vida útil.

Na prática, iniciativas desse tipo funcionam como ponto de entrada para cadeias de ITAD (IT Asset Disposition), recondicionamento e reciclagem, conectando instituições geradoras de resíduos a operadores especializados na triagem, recuperação e reinserção de equipamentos no mercado ou em projetos sociais.

A lógica da economia circular aplicada ao setor público busca reduzir o descarte precoce de computadores, monitores, impressoras e outros dispositivos, além de ampliar o aproveitamento de componentes ainda funcionais. Em muitos casos, esses equipamentos são direcionados a programas de inclusão digital, capacitação profissional ou reaproveitamento em instituições de ensino e organizações sociais.

Esse tipo de política tem ganhado escala no Brasil, especialmente em universidades federais, que concentram grande volume de ativos tecnológicos com ciclos de substituição relativamente curtos. A adoção de modelos circulares permite reduzir custos de aquisição, diminuir impactos ambientais e estruturar fluxos mais eficientes de gestão de patrimônio.

Além do aspecto ambiental, a destinação de equipamentos para reuso também possui impacto social relevante. Computadores recondicionados frequentemente são utilizados em telecentros, laboratórios de informática e programas de formação, ampliando o acesso à tecnologia em comunidades com menor infraestrutura digital.

O avanço dessas iniciativas ocorre em paralelo ao crescimento do debate sobre lixo eletrônico no país. O Brasil está entre os maiores geradores de resíduos eletroeletrônicos da América Latina, mas ainda enfrenta limitações estruturais na coleta, reciclagem e reaproveitamento de equipamentos descartados.

Nesse cenário, a atuação de instituições públicas como geradoras e também como agentes indutores de cadeias circulares ganha relevância estratégica. Ao direcionar equipamentos para reuso, universidades e órgãos governamentais ajudam a criar escala para um ecossistema que envolve fabricantes, recicladores, empresas de recondicionamento e operadores logísticos.

A consolidação desse modelo depende da integração entre políticas públicas, infraestrutura de logística reversa e capacidade técnica de processamento dos equipamentos. A tendência, porém, é de expansão gradual, impulsionada por pressões regulatórias, metas de sustentabilidade e pela crescente valorização econômica dos resíduos eletrônicos.

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