Tecnologia Verde

Economia circular avança nas empresas, mas ainda é pouco compreendida pela população brasileira

A economia circular vem ganhando espaço nas estratégias de empresas, governos e investidores, mas seu significado ainda permanece distante da maior parte da população brasileira. Uma pesquisa nacional mostra que o conceito continua pouco conhecido pelos consumidores, evidenciando um desafio que vai além da criação de políticas públicas ou da expansão da infraestrutura de reciclagem: a necessidade de ampliar a educação e a comunicação sobre modelos de consumo mais sustentáveis.

O levantamento, realizado pelo Instituto QualiBest a pedido do Movimento Plástico Transforma, aponta que 39% dos brasileiros nunca ouviram falar em economia circular. Apenas 12% afirmam conhecer bem o conceito, enquanto 45% dizem já ter escutado o termo, mas admitem ter apenas um entendimento superficial. (Fonte: Fast Company Brasil)

Apesar desse baixo nível de conhecimento, a pesquisa identifica um cenário favorável para a expansão da circularidade. A maioria dos entrevistados afirma estar disposta a adotar hábitos que reduzam impactos ambientais, desde que compreenda os benefícios dessas práticas e encontre alternativas acessíveis para colocá-las em prática.

Para a indústria de tecnologia, o dado tem implicações diretas. Programas de logística reversa, recondicionamento, reparo, trade-in e reciclagem dependem da participação ativa do consumidor. Quando equipamentos eletrônicos permanecem esquecidos em gavetas ou são descartados incorretamente, materiais de alto valor econômico deixam de retornar à cadeia produtiva.

Esse comportamento afeta especialmente um setor que enfrenta crescimento acelerado na geração de resíduos eletrônicos. Computadores, smartphones, tablets, eletrodomésticos e equipamentos corporativos concentram metais críticos, plásticos de engenharia e componentes que podem ser reutilizados, recondicionados ou reciclados, reduzindo a necessidade de extração de novas matérias-primas.

Ao mesmo tempo, cresce o interesse do mercado por modelos de negócios circulares. Fabricantes ampliam programas de recompra de equipamentos, varejistas fortalecem a oferta de produtos recondicionados e empresas de ITAD assumem um papel estratégico na gestão do ciclo de vida de ativos tecnológicos. Esse movimento, porém, depende de consumidores capazes de reconhecer valor em práticas como reparo, reutilização e descarte adequado.

A pesquisa também reforça que a economia circular ainda enfrenta um desafio de linguagem. Embora muitos consumidores já pratiquem ações compatíveis com esse modelo, como separar resíduos, consertar produtos ou vender equipamentos usados, grande parte não associa essas iniciativas ao conceito de circularidade.

Especialistas apontam que a consolidação desse mercado exigirá esforços coordenados entre empresas, governos e instituições de ensino para ampliar a conscientização sobre o valor econômico e ambiental dos recursos já existentes na economia. Quanto maior o entendimento sobre o tema, maior tende a ser a adesão a programas de logística reversa e recuperação de ativos.

À medida que a pressão por sustentabilidade cresce em diferentes setores, a economia circular deixa de ser apenas uma estratégia ambiental e passa a integrar decisões de investimento, inovação e competitividade. O desafio agora é transformar um conceito ainda pouco conhecido em uma prática amplamente incorporada ao cotidiano de consumidores e empresas.

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