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Mineração urbana ganha escala com supertriturador capaz de recuperar metais estratégicos do lixo eletrônico

O avanço da economia circular no Brasil passa a contar com uma nova infraestrutura voltada à recuperação de materiais críticos. Uma planta de mineração urbana instalada em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, começou a operar com um equipamento de alta capacidade capaz de triturar eletrodomésticos, resíduos eletrônicos e até veículos inteiros em cerca de 20 segundos, acelerando a recuperação de metais de alto valor para a indústria.

Com investimento superior a R$ 50 milhões, a unidade da Metal Carbon Hub/Reminera ocupa uma área de 18 mil metros quadrados e foi projetada para operar sob o conceito de aterro zero, no qual praticamente todos os materiais recebidos retornam à cadeia produtiva. O objetivo é recuperar metais nobres e elementos de terras raras presentes em equipamentos eletrônicos descartados, reduzindo a dependência brasileira de matérias-primas importadas.

Diferentemente da mineração tradicional, a mineração urbana extrai valor de produtos que já chegaram ao fim de seu primeiro ciclo de uso. Computadores, celulares, eletrodomésticos e componentes automotivos concentram cobre, alumínio, aço, metais preciosos e minerais estratégicos utilizados na fabricação de semicondutores, motores elétricos, baterias e outros equipamentos de alta tecnologia.

O principal diferencial da operação é um shredder de grande porte, equipamento inédito no Paraná, responsável pela fragmentação ultrarrápida dos resíduos. Após a trituração, sistemas industriais realizam a separação dos diferentes materiais, permitindo que metais, plásticos e outros componentes sejam encaminhados para processos específicos de recuperação e reaproveitamento.

Outro elemento estratégico da planta é a rastreabilidade. A empresa utiliza um Sistema de Rastreamento Ambiental (SRA), que acompanha os resíduos desde a coleta até a destinação final. O processo oferece às empresas documentação para comprovar conformidade com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e fortalecer indicadores de ESG, tema cada vez mais presente nas cadeias globais de fornecimento.

Além do aspecto tecnológico, o projeto foi estruturado para atuar em parceria com cooperativas de reciclagem. Em vez de competir pela coleta, a empresa compra sucatas eletrônicas complexas por valores superiores aos praticados no mercado tradicional, criando uma alternativa de renda para materiais que normalmente possuem baixo valor comercial devido à dificuldade de processamento.

Os planos da companhia incluem ampliar a verticalização da operação com a implantação de uma fundição própria, permitindo transformar os materiais recuperados em insumos com maior valor agregado para a indústria nacional. A expectativa é fortalecer uma cadeia brasileira de fornecimento de minerais estratégicos em um momento de crescente demanda por componentes utilizados em inteligência artificial, eletrificação e infraestrutura digital.

O projeto reflete uma mudança de paradigma na gestão de resíduos eletrônicos. Em vez de tratar equipamentos descartados apenas como passivos ambientais, a mineração urbana passa a enxergá-los como reservas de matérias-primas críticas capazes de abastecer setores industriais de alto valor tecnológico. Em um cenário de crescente pressão sobre recursos naturais e cadeias globais de suprimento, a recuperação desses materiais tende a assumir um papel cada vez mais estratégico para a competitividade da indústria brasileira.

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