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Fim do suporte ao Windows 10 coloca 240 milhões de computadores diante de uma escolha

O encerramento do suporte regular ao Windows 10 abriu uma nova discussão sobre o destino de milhões de computadores ainda funcionais. Desde outubro de 2025, o sistema deixou de receber as atualizações convencionais de segurança da Microsoft, embora as máquinas continuem ligando, executando programas e acessando a internet.

O problema não está no funcionamento imediato dos equipamentos, mas no aumento gradual da exposição a vulnerabilidades. Falhas descobertas após o encerramento do suporte deixam de ser corrigidas pelo ciclo regular da empresa, enquanto novos softwares e periféricos podem reduzir ou encerrar a compatibilidade com o sistema ao longo do tempo.

A transição afeta especialmente computadores que não cumprem os requisitos técnicos do Windows 11. Segundo estimativa da consultoria Canalys citada pela Exame, cerca de 240 milhões de PCs em operação não possuem hardware compatível com a versão mais recente do sistema da Microsoft.

Esse contingente representa um desafio para consumidores, empresas e operadores de ativos de tecnologia. A troca imediata de equipamentos pode acelerar a geração de resíduos eletrônicos, mesmo quando processadores, memórias, telas, teclados e outros componentes ainda possuem condições de uso.

Para reduzir esse risco, a Microsoft mantém o programa de Atualizações de Segurança Estendidas, conhecido como ESU. Em 2026, a cobertura foi ampliada até 12 de outubro de 2027, oferecendo correções críticas de segurança por um período adicional. A inscrição pode ser gratuita para usuários da versão 22H2 conectados a uma conta Microsoft, enquanto a licença para contas locais custa US$ 30.

O programa funciona como uma extensão temporária, mas não inclui novos recursos, melhorias de desempenho ou suporte técnico. Sua finalidade é dar mais tempo para que usuários e organizações decidam entre atualizar o hardware, migrar de plataforma ou substituir o equipamento.

Outra alternativa é instalar um sistema operacional baseado em Linux. Distribuições gratuitas e mais leves podem prolongar a vida útil de computadores que já não acompanham os requisitos do Windows. O Linux Mint 22.3, por exemplo, possui suporte previsto até abril de 2029 e oferece uma interface próxima à experiência tradicional do Windows. Para máquinas com menos de 4 GB de memória RAM, sistemas como o Xubuntu exigem menos recursos e podem operar em equipamentos com mais de dez anos.

Navegadores, serviços de e-mail, plataformas de streaming e suítes de escritório continuam disponíveis nessas alternativas. O ChromeOS Flex também pode transformar PCs antigos em dispositivos voltados principalmente ao uso de aplicações pelo navegador, embora não execute programas tradicionais de desktop nem aplicativos Android.

A mudança amplia a relevância dos serviços de reparo, atualização e recondicionamento. Computadores considerados inadequados para o Windows 11 podem permanecer úteis após substituições de memória, instalação de armazenamento mais rápido ou adoção de um sistema menos exigente. Em ambientes corporativos, a decisão também envolve sanitização de dados, avaliação técnica e definição sobre revenda, doação, reuso interno ou reciclagem.

O fim de um sistema operacional, portanto, não precisa representar o encerramento do ciclo de vida do equipamento. Em muitos casos, a obsolescência está associada ao software e aos requisitos de compatibilidade, não à perda da capacidade funcional do hardware.

O maior concorrente do mercado de smartphones novos talvez não seja outra fabricante. Pode ser a gaveta da casa do consumidor.

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