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Japão mira suas “minas urbanas” e atrai gigante americana de ITAD para ampliar reciclagem de eletrônicos

O Japão está transformando a reciclagem de eletrônicos em uma questão de segurança de recursos. A Itochu anunciou uma parceria com a americana Electronic Recyclers International (ERI) para criar uma operação conjunta de reciclagem e ITAD no país, em meio à crescente preocupação com o acesso a metais preciosos e matérias-primas estratégicas utilizadas pela indústria tecnológica. (Reuters)

A nova empresa, ERI Japan, será controlada em partes iguais pela ERI e pela Belong, subsidiária integral da Itochu especializada no mercado de dispositivos móveis usados. A Itochu também pretende adquirir uma participação na companhia americana, embora o valor e o tamanho do investimento não tenham sido divulgados. (Resource Recycling)

A operação chama atenção pelo potencial ainda pouco explorado do mercado japonês. Apenas cerca de 20% dos equipamentos eletrônicos são reciclados no país, segundo Koichiro Nishimura, CEO da Belong. Ao mesmo tempo, as chamadas minas urbanas japonesas são estimadas em 6,8 mil toneladas de ouro, além de outros materiais recuperáveis presentes em dispositivos descartados. (Reuters)

A expressão mineração urbana descreve justamente a recuperação de metais e minerais existentes em produtos que já circulam na economia, em oposição à extração de novas reservas naturais. Com smartphones, computadores, servidores e outros eletrônicos concentrando materiais de elevado valor, o estoque de equipamentos descartados passa a assumir importância econômica e geopolítica.

Essa dimensão ganhou relevância diante das incertezas nas cadeias internacionais de suprimentos. O Japão vem buscando fortalecer sistemas domésticos de recuperação de recursos para reduzir sua exposição a riscos geopolíticos e à dependência externa de matérias-primas utilizadas na produção de eletrônicos. (Reuters)

A parceria combina competências complementares. A Itochu já atua no mercado de reutilização de smartphones por meio da Belong. A ERI, fundada em 2002, opera oito unidades nos Estados Unidos e oferece uma cadeia integrada que inclui destruição de dados, remarketing de ativos, logística, reciclagem, compliance e processamento avançado de resíduos eletrônicos. Desde sua fundação, a companhia afirma ter reciclado mais de 2,5 bilhões de libras de e-waste. (Itochu)

A tecnologia será uma das bases da expansão japonesa. A ERI utiliza sistemas próprios para rastrear ativos ao longo da cadeia de custódia, além de reconhecimento de imagens por inteligência artificial e braços robóticos para automatizar a separação de materiais após a fragmentação dos equipamentos. (Itochu)

A proposta da ERI Japan vai além da reciclagem final. A operação pretende estruturar a aquisição de equipamentos de TI no fim de vida, otimizar a logística reversa e desenvolver canais para comercialização dos recursos recuperados. A Itochu também prevê integrar empresas de seu grupo e parceiros japoneses ligados à reciclagem e à logística reversa. (Itochu)

Os números ajudam a explicar o interesse. O mercado global de IT Asset Disposition foi estimado em US$ 18,4 bilhões em 2024 e deve alcançar US$ 26,6 bilhões em 2029, segundo projeções divulgadas pela Itochu. No Japão, a expectativa é ainda mais acelerada: de aproximadamente US$ 1,07 bilhão em 2024 para US$ 2,14 bilhões em 2033. (Reuters)

A entrada da ERI também ocorre após uma mudança regulatória. Em novembro de 2025, o Japão aprovou legislação destinada a sofisticar os negócios de reciclagem e fortalecer a competitividade industrial relacionada à circulação de recursos, criando um ambiente mais favorável para operações que utilizam tecnologias avançadas de recuperação. (Itochu)

A joint venture mostra como as fronteiras entre ITAD, mercado secundário e recuperação de materiais começam a desaparecer. Antes de chegar ao shredder, um ativo pode ter valor para remarketing, reuso ou recuperação de componentes. Quando essas possibilidades se esgotam, metais e outros materiais ainda podem retornar à indústria.

Em um país com elevada densidade tecnológica, baixa taxa de reciclagem de eletrônicos e grandes volumes de materiais valiosos acumulados em equipamentos fora de uso, essa capacidade de extrair valor em diferentes etapas do ciclo transforma o descarte tecnológico em uma nova fonte doméstica de recursos.

 

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