Boa Vista recebeu nesta semana uma nova ação voltada ao descarte correto de resíduos eletrônicos e à conscientização sobre economia circular. O mutirão “UERR Recicla 2026”, promovido pela Universidade Estadual de Roraima em parceria com o Instituto Descarte Correto, mobilizou moradores para o recolhimento de equipamentos eletroeletrônicos e materiais recicláveis na capital roraimense.
A iniciativa ocorreu no campus da UERR e também em um centro cultural da cidade, com pontos de entrega voluntária e sistema drive-thru para facilitar a coleta. Entre os itens recebidos estavam computadores, celulares, impressoras, monitores, televisores, baterias, cabos e pequenos eletrodomésticos. Todo o material arrecadado será encaminhado para reaproveitamento, reciclagem ou processos de logística reversa.
O evento reflete um movimento crescente na Região Norte, onde projetos ligados ao recondicionamento e à reciclagem de eletrônicos vêm sendo utilizados não apenas como ações ambientais, mas também como ferramentas de inclusão digital e capacitação profissional.
Segundo representantes do Instituto Descarte Correto, parte dos equipamentos recolhidos pode ser recuperada e destinada a projetos sociais e laboratórios comunitários de informática. A organização atua em estados como Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima com iniciativas ligadas à reciclagem tecnológica e formação técnica.
O avanço dessas ações ocorre em meio ao crescimento do volume de resíduos eletrônicos no Brasil. Com ciclos cada vez mais curtos de renovação tecnológica, o descarte inadequado de celulares, computadores e acessórios se tornou um dos principais desafios ambientais do setor de eletrônicos.
Além do impacto ambiental, o tema ganhou relevância econômica. Equipamentos descartados contêm metais e componentes reutilizáveis, criando oportunidades para cadeias ligadas à reciclagem, recondicionamento e recuperação de ativos tecnológicos.
No caso da Região Norte, a discussão também envolve acesso à tecnologia. Muitos equipamentos recuperados acabam sendo reinseridos em projetos de capacitação digital em comunidades com menor infraestrutura tecnológica, ampliando o uso social de dispositivos que seriam descartados.
O mutirão em Boa Vista também teve participação de instituições públicas e empresas parceiras, incluindo órgãos do Judiciário, Receita Federal e companhias ligadas à reciclagem e cosméticos. A proposta foi combinar educação ambiental, logística reversa e práticas de ESG em uma ação de mobilização coletiva.
A expansão de iniciativas desse tipo acompanha uma tendência mais ampla de fortalecimento da economia circular no país, especialmente em segmentos ligados a resíduos eletrônicos, reaproveitamento de materiais e redução do descarte em aterros e lixões.
Em paralelo, cresce a pressão sobre fabricantes, varejistas e consumidores para ampliar a responsabilidade compartilhada sobre o ciclo de vida dos equipamentos eletrônicos, conforme previsto pela Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Europe







