A Ingram Micro estabeleceu uma meta de crescimento anual de 10% a 12% para seu negócio de Lifecycle entre os exercícios fiscais de 2026 e 2029. A projeção supera a taxa de 4% a 6% prevista pela companhia para o conjunto de suas operações.
O negócio de Lifecycle reúne serviços de logística reversa, recuperação de equipamentos, ITAD, recondicionamento e atividades de supply chain.
A empresa não divulgou uma projeção específica para a receita de ITAD. A meta abrange todo o segmento, incluindo serviços que não dependem diretamente de reciclagem ou revenda de equipamentos.
Mesmo assim, o objetivo financeiro mostra o espaço que a companhia pretende dar à gestão de ativos ao longo de sua utilização.
A vantagem começa na distribuição
A Ingram Micro possui relacionamento comercial com fabricantes, revendedores, integradores e prestadores de serviços gerenciados.
Essa posição permite participar de decisões de aquisição antes que o cliente precise retirar equipamentos antigos.
Um projeto de substituição de computadores, por exemplo, pode envolver simultaneamente a compra das novas máquinas e a contratação da retirada das anteriores.
Para o cliente, o serviço pode incluir coleta, sanitização de dados, inventário, recuperação de valor e destinação dos equipamentos sem condições de reuso.
Para a distribuidora, isso cria uma oportunidade comercial adicional associada à venda original.
A empresa pretende utilizar sua plataforma Xvantage para conectar esses processos.
O sistema reúne atividades comerciais e operacionais para parceiros de canal, incluindo processamento de transações e recomendações apoiadas por inteligência artificial.
Segundo a Ingram Micro, sua estratégia digital mais ampla utiliza mais de 400 modelos de inteligência artificial e machine learning.
Esse número, entretanto, não significa que todos os modelos sejam dedicados à gestão de ativos ou ao ITAD.
Integração com ServiceNow aproxima ITAD da gestão corporativa
Outra iniciativa é a integração dos serviços de Lifecycle com a plataforma ServiceNow.
O objetivo é permitir que clientes corporativos iniciem solicitações de coleta e acompanhem etapas da retirada por meio dos sistemas que já utilizam para administrar ativos tecnológicos.
A integração também oferece acesso a atualizações individualizadas e certificados de destruição ou reciclagem.
A companhia utiliza ainda integração com a Blancco para processos de apagamento de dados.
Essas conexões respondem a uma dificuldade comum em grandes organizações.
A retirada de equipamentos frequentemente envolve diferentes departamentos: TI, compras, segurança da informação, patrimônio e sustentabilidade.
Quando os processos são administrados em sistemas separados, surgem etapas manuais para solicitar coleta, confirmar recebimento, acompanhar inventário e obter documentação.
A integração reduz a necessidade de administrar essas informações fora dos sistemas corporativos.
ITAD passa a fazer parte da decisão de compra
O modelo também altera o momento em que o serviço de destinação é contratado.
Tradicionalmente, empresas podem buscar um fornecedor de ITAD quando já possuem equipamentos acumulados aguardando retirada.
A estratégia da Ingram Micro procura antecipar essa contratação, incluindo o serviço no próprio processo de substituição tecnológica.
Isso cria oportunidades para contratos recorrentes e planejamento de volumes.
Também pode ajudar a preservar valor residual, porque a retirada ocorre de forma coordenada com o ciclo de atualização.
Equipamentos armazenados por longos períodos podem perder valor comercial enquanto aguardam processamento. A velocidade de retorno ao mercado secundário influencia a recuperação financeira.
A Ingram Micro citou ainda um projeto com uma instituição financeira que envolveu retirada de infraestrutura redundante de data centers e recondicionamento de servidores que continuavam aptos ao uso.
O exemplo mostra como um contrato de Lifecycle pode envolver decisões diferentes para ativos pertencentes à mesma organização.
O que isso representa para operadores latino-americanos
A Ingram Micro possui relacionamento com o canal de tecnologia em diferentes mercados latino-americanos. Isso torna sua estratégia internacional pertinente para empresas que atuam na região, embora a companhia não tenha anunciado metas específicas de crescimento de ITAD para o Brasil ou outros países latino-americanos nessa divulgação.
O modelo pode ampliar a concorrência entre distribuidores, fabricantes, integradores e operadores independentes de ITAD.
Empresas especializadas em destinação de ativos podem enfrentar concorrentes que já participam do processo de compra e renovação tecnológica.
Por outro lado, a execução de serviços de coleta, diagnóstico, sanitização, reparo e remarketing continua exigindo infraestrutura física e conhecimento operacional.
Isso pode abrir espaço para parcerias com prestadores regionais.
A diferença competitiva estará em conectar essas capacidades à demanda corporativa.
Para clientes empresariais, a possibilidade de administrar aquisição e retirada dentro de processos integrados pode simplificar a gestão de frotas. Para operadores de ITAD, aumenta a necessidade de fornecer dados individualizados, documentação e integração com sistemas utilizados pelos clientes.
A meta de crescimento da Ingram Micro não demonstra, por si só, que a empresa conquistará maior participação no mercado de ITAD. Mostra, porém, que pretende expandir um negócio no qual a recuperação de equipamentos é vendida em conjunto com serviços mais amplos de tecnologia e logística.

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